Com tom poético que caracteriza os
artistas marcados pelo exílio, a
nostalgia por sua pátria e as
lembranças pessoais enfatizaram,
suas intervenções Yrene Santos,
Juana Ramos e Margarita Drago, do
York Collage da City University of
New York, para quem escrever em
espanhol é sinónimo de sentimentos.
É o caso da dominicana Santos, sua
obra poética está signada por uma
história pessoal, enriquecida pela
diversidade cultural que lhe oferece
viver em uma cidade cosmopolita,
onde decorre grande parte de sua
vida e primeiras aproximações à arte
de escrever.
Durante sua intervenção, ofereceu
detalhes sobre a tertúlia dominicana
de escritoras, um projeto criado em
1994 na cidade nova-iorquina para
canalizar as inquietudes criativas e
formativas das mulheres latinas com
uma particular inclinação pela
literatura.
Ramos, uma salvadorenha marcada pelo
exílio político de sua família,
disse que sua inquietude nasceu da
necessidade de refletir sobre o
passado e o presente de seu país e
América Latina, na sociedade que lhe
tocou viver, mas que não sente como
seu lar.
Confessou que sua viagem à Cuba para
assistir a este Colóquio é um sonho
feito realidade que lhe chegou
através de seu conterrâneo, o poeta
Roque Dalton, para quem a ilha foi
sua segunda pátria.
Ramos agregou que o desterro, ao a
distanciar, lhe permitiu conhecer
melhor a história de seu país; em
tanto, a nostalgia, o desamparo e o
desarraigo marcam sua obra, em cuja
fase criativa não há cabida para o
inglês porque é sua maneira de
resistência ante um país que deixou
uma amarga impressão no destino de
El Salvador "e porque em espanhol
encontro meu lar".
Drago, escritora argentina que
emigrou aos Estados Unidos em 1980
depois de sair do cárcere por suas
ideias políticas, agradeceu a Casa
das Américas a oportunidade de
diálogo, e reconheceu o papel dessa
instituição como promotora cultural.
Professora de língua espanhola,
literatura e educação bilíngue em
York Collage, assegurou que apesar
de viver e escrever em Nova York,
sua mirada sempre está posta no sul,
e a estância de 36 anos ali lhe
serviu para enriquecer seus
horizontes.
O programa matutino do Colóquio
também incluiu um painel sobre o
trabalho de Latino Artists Round
Table e o editorial Sino na produção
e divulgação da cultura dos latinos
nessa nação nortenha.